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Produtivo ou workaholic? Entenda as diferenças

Mariana Lima

A pessoa acorda bem cedo e já começa a trabalhar ou a pensar em trabalho. Não espera o horário comercial para mandar mensagens no WhatsApp sobre reuniões e projetos. Finais de semana e madrugadas tão pouco são um empecilho para enviar e-mails com ideias para os colegas e chefes. Eu posso apostar que você deve conhecer ao menos uma pessoa assim.

Esse comportamento é tão comum que tem um nome: workaholic, ou viciado em trabalho, na tradução livre do inglês. Por muitos anos, ser workaholic era motivo de elogio de chefes e modelo de inspiração entre os colegas, mas isso mudou.

Como surgiu o workaholic?

O perfil da pessoa viciada em trabalho surgiu no fim da década de 1960, com a geração de pessoas que nasceram no período pós-Segunda Guerra Mundial, os chamados “baby boomers”.

À época, as pessoas escolhiam uma profissão e levavam pra vida inteira. E, por isso, havia muito empenho para ser promovido o quanto antes, acumular riqueza e se aposentar cedo.

Com o desejo absurdo de crescer rápido na carreira, os horários de trabalho também começaram a ficar menos definidos. E quem passava mais de 20 horas por dia no escritório tinha fama de bem-sucedido.

As horas de expediente eram intensas e a vida pessoal ficava em segundo plano. E até o happy hour era um momento para fazer contatos, ao contrário da descontração que existe hoje.

O que mudou?

Agora a realidade é outra. A mudança se deu por conta do estilo de vida de outra geração, a Z (os nascidos na década de 1990), que entrou no mercado de trabalho na década passada.

Para essas pessoas, o trabalho é algo que precisa ser prazeroso, com equilíbrio entre a vida pessoal e social. E muitas horas de trabalho não estão com nada.

Mas isso não quer dizer que as empresas perderam ou que os trabalhadores viraram preguiçosos.

Hoje em dia, tanto os colaboradores quanto as empresas não acham saudável que o trabalho se estenda para além do horário normal. E quem é produtivo passou a ser o perfil da vez.

O que é ser produtivo?

Ao contrário do workaholic, a pessoa produtiva não vive para o trabalho. Ela entende que o trabalho é apenas uma parte da sua vida tão importante quanto ter saúde e passar um tempo com os amigos e familiares.

Para esse novo perfil, ninguém deseja – ou inveja – um trabalho acima da carga horária estipulada. A ideia é aproveitar o tempo ao máximo: em oito horas de trabalho, ser o mais eficiente possível. Depois disso, o assunto vira lazer, estudos e diversão.

A principal preocupação desse perfil, portanto, é encontrar o tão desejado equilíbrio na vida.

Por que as empresas preferem pessoas produtivas e não workaholics

Agora que você já sabe a diferença dos dois perfis, vamos te explicar o porquê de as pessoas produtivas serem as queridinhas da vez:

Regras trabalhistas e economia em geral

Quando você passa mais tempo do que precisa no escritório, a empresa é obrigada a pagar horas extras. Além desse gasto financeiro, ela também tem mais despesas com luz, água, cafezinho entre outros.

Pessoas produtivas entregam o trabalho esperado em menos tempo e evita esses custos adicionais para a empresa.

Outros ganhos

O seu trabalho rende melhor quando você está cansado ou relaxado? Aposto que é a segunda opção!

As empresas já perceberam que quando o colaborador está mais tranquilo, relaxado e despreocupado, a qualidade da entrega no trabalho cresce bastante. E é por isso que cada vez mais é estimulado horas de lazer e de descanso para os colaboradores.

Além disso, quando você interage com seus colegas e familiares, mais aumenta a sua “visão de mundo” e você estará mais aberto a novas experiências que podem impactar positivamente na sua criatividade e, consequentemente, melhorar o seu trabalho.

Fora que, com mais tempo livre, o colaborador também pode se aperfeiçoar fazendo cursos e desenvolvendo novas habilidades. Ou seja, todo mundo sai ganhando 💙

Como deixar de ser workaholic

Se você se identificou com as características da pessoa que citamos no começo do texto e não quer mais seguir com esse perfil, não se preocupe. Existem estudos e métodos para te ajudar a migrar do workaholic para o produtivo.

Vamos ver algumas formas de fazer isso:

1. Defina limites e delegue funções


O grande problema do workaholic é que ele não limita o tempo de trabalho. A primeira dica, portanto, é confirmar qual é o horário de trabalho estipulado em contrato e delimitar quais atividades podem ser feitas nesse período.

É provável que você ache, no primeiro momento, que é “impossível” fazer tudo dentro do seu horário de trabalho, mas esse é um pensamento normal do workaholic.

Converse com o seu chefe, estipule as prioridades e foque em uma atividade por vez. Com isso, você será mais eficiente e produtivo.

Para te ajudar nisso, também delegue tarefas. Nada de acumular funções e atividades. Seus colegas são tão capazes quanto você de fazer um bom trabalho, então peça ajuda deles.

Por fim, respeite o limite dos colegas. Ninguém merece acordar com uma mensagem no WhatsApp às 5h da manhã sobre uma ideia que poderia esperar até o horário do expediente, tão pouco um e-mail nada urgente no fim de semana. Né?

Seja sensato e tenha bom senso.

2. Encontre outra atividade e defina hora de lazer

O seu trabalho não precisa ser a sua única paixão. Será mais saudável para você ter um hobby que te acrescente novos conhecimentos e que te façam relaxar.

Lembra daquelas horas a mais no escritório? Aproveite elas para aprender algo que você sempre quis, mas não tinha tempo, como tocar violão, pintar, dançar, bordar... Qualquer hobby, vale!

Procure um que tenha mais a sua cara e comece o quanto antes! 😉

3. Dê um foco na sua saúde

Com a correria do dia a dia de um workaholic dificilmente você deve ter tido tempo para fazer exames, exercícios físicos, agendar uma sessão de terapia...

Aproveite para começar a cuidar do seu corpo e da sua mente!

Agende médicos, faça todos os exames solicitados, teste quais tipos de exercício físico se encaixam melhor na sua rotina e te dão mais prazer, encontre um terapeuta. Procure formas de se manter saudável fisicamente e mentalmente.

4. Peça feedbacks

Agora que você já decidiu que não quer ser workaholic, se cerque de pessoas que não enaltecem essa forma de levar a vida.

Peça feedback de colegas de trabalho, amigos próximos e familiares para que eles te indiquem quando você está passando do ponto e sinalizem quando estiver trabalhando desnecessariamente fora do horário de expediente.

Gostou das dicas? Conta pra gente nos comentários: você é mais workaholic ou produtivo? 😉

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