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ABRA SUA CONTA

O que aprendi quando me desafiei a ficar 45 dias sem gastar

Paula Guilger

Não vou negar: sempre gostei de fazer umas comprinhas. Meu nome é Maria Paula, mas também pode me chamar de Rainha da Dafiti - “4 blusas por R$ 99”, quem nunca? - ou então de Caçadora de Cupons de lojas online. 

Essas promoções soavam como ofertas irresistíveis para mim, e mesmo nos meses em que eu conseguia escapar delas, sempre gostei da sensação de me dar um presentinho para começar bem o mês. Quando eu tinha alguma grande conquista, comprava alguma – ou algumas, para ser mais precisa – coisinhas para comemorar. 

Nunca me descontrolei com o dinheiro, mas eu sentia que as comprinhas estavam virando um hábito, e comecei a me questionar sobre isso.  

Congelando o cartão de crédito 

No começo de 2019, percebi que ao longo do ano anterior eu tinha guardado uma boa quantidade de dinheiro, mas aos poucos fui gastando em um tênis ali, ou uma blusinha aqui... 

Percebi que era fácil gastar pois eu não estava guardando dinheiro para um grande objetivo – como uma viagem, um apartamento, qualquer coisa que me exigisse juntar dinheiro por muito tempo. 

Então, decidi fazer uma promessa: 45 dias sem comprar nada. Esse desafio que coloquei para mim mesma era o que me motivaria a juntar dinheiro. 

Por que 45 dias? Porque seria o suficiente para eu ficar pelo menos 2 meses sem me dar o meu presentinho mensal. Ou seja, eu iria me forçar a quebrar aquele comportamento que estava virando um hábito e ainda poderia guardar e investir o dinheiro que economizaria nesse período

Nesse processo descobri algumas coisas, e decidi compartilhar com vocês os aprendizados que tive nesses 45 dias com o cartão de crédito congelado: 

1) Se você não pode comprar, tudo parece mais bonito e mais barato 

Cheguei a essa conclusão em um almoço de sábado com uns amigos. Terminamos de almoçar e lembramos que tinha uma loja conhecida do lado do restaurante, e uma das minhas amigas sugeriu de passarmos lá depois do almoço.  

Eu sabia que não ia poder comprar nada, mas logo em seguida pensei: “Sempre que eu vou nessa loja, não acho nada que combina comigo e o que combina sempre é caro e eu não compraria mesmo! Então, não vai ter problema ir lá com elas”. 

Até que eu coloquei o pé na loja e pronto, já queria 3 blusas, 2 vestidos e 4 saias! Para completar o drama, todos os preços pareciam pela primeira vez estar valendo a pena e o custo-benefício ótimo. 

Depois de passar um pouco de vontade, acabei percebendo que na verdade a loja era a mesma, com os mesmos preços, mas só o fato de não poder comprar me gerou uma vontade ainda maior de comprar tudo.  

Dica: Se você está com vontade de comprar alguma coisa para você, seu cérebro vai arrumar motivos pra te convencer que está valendo a pena. Mantenha a calma, respire fundo, e… saia da loja o mais rápido possível! Rs 

2) Quando você vê, já está dentro de um Uber 

Ao decidir fazer essa promessa de 45 dias sem comprar nada, minha ideia inicial era reduzir os gastos também com apps de transportes privados, como Uber, 99 e Cabify. Eu só pediria um carro com a condição de que se fosse uma emergência ou uma situação perigosa. 

Sem sombra de dúvida, não andar de transporte particular foi uma das partes mais difíceis da minha promessa. 

A minha conclusão foi: a gente pisca, e já pediu uma corrida. Em alguns dias eu saía de casa atrasada e, quando eu abria o olho, já estava conversando com o motorista sobre o trânsito da cidade! 

Dica: Eu não sei você, mas no meu caso percebi que vale fazer uma próxima promessa só para perder a mania de pedir carros em aplicativos. É muito fácil pedir um carro, e na correria do dia a dia a gente acaba contando com essa conveniência. O problema é que no final do mês a gente vê quanto gastou! 

3) A vontade de comprar passa, é só dar um tempo 

“Quando a promessa acabar, vou comprar aquilo.” 

Minha última conclusão é sobre as consequências de ficar um tempo sem comprar nada. Nos primeiros dias da promessa, tudo que eu gostava eu deixava “salvo” em algum lugar para lembrar de comprar no primeiro dia que a promessa acabasse. 

Mas à medida que o tempo foi passando, percebi que isso iria contra o intuito da promessa, pois se eu comprasse depois, iria gastar todo o dinheiro que eu economizei nesse processo. É como ficar uma semana sem comer besteira e depois se empanturrar de doces e frituras, não adianta nada. 

Nesses momentos, é importante se policiar para garantir que a sensação boa de estar guardando dinheiro não seja só pontual naquele período, e sim que se torne um hábito a partir daquele momento. 

Dica: Se você já se esforçou tanto para não gastar, valorize o seu progresso e não acabe com tudo que você conquistou. Se você realmente gostou de algo, pode até transformar em uma meta e juntar dinheiro só para aquilo, em vez de comprar no impulso. 

Quer juntar dinheiro? Tenha uma meta clara. 

Ao fim dos 45 dias, além de um cartão de crédito com a fatura bem mais tranquila, eu percebi que muitas vezes, para que a gente consiga guardar dinheiro, temos que ter uma meta bem clara. 

Seja uma viagem, um carro ou simplesmente o próprio desafio pessoal de ficar 45 dias sem comprar nada, como foi no meu caso. O importante é encontrarmos formas de nos controlarmos com gastos que não são essenciais. 

Uma blusa nova poderia me fazer feliz? Sim, mas a sensação de perceber que isso não é fundamental na minha vida é melhor ainda!  

E você, já parou pra pensar sobre seus gastos e possíveis cortes? Uma dica nossa é ter uma planilha pra organizar suas finanças.

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