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O que é a Selic? Saiba quanto vale e para que serve essa taxa

Time Neon

**Atualizado em 7 de agosto de 2020**

No quiz do Movimento Foca no Dinheiro descobrimos que 52% das pessoas não fazem ideia do que é a taxa Selic. Apesar disso, ela é super importante para a economia do país e também tem impacto no seu bolso. Vamos aprender sobre a taxa Selic hoje?

Em uma tradução resumida, a função da Selic, considerada a taxa básica de juros da economia brasileira, é ser uma espécie de regulador da inflação e dos juros no país. Na prática, um instrumento usado pelo Banco Central (BC), o banco dos bancos.

Como funciona a taxa Selic

Em outras palavras, o Banco Central abre ou fecha a torneira do dinheiro que circula no mercado. Por exemplo, se a Selic cair, aumenta o dinheiro em circulação. Consequentemente, as taxas de juros também caem e o consumo tende a ganhar mais força. Essa facilidade provocada pela queda dos juros faz com que as pessoas retomem aquela compra que, até então, estavam segurando.

De dois em dois meses, o Comitê de Política Monetária (chamado de Copom) fixa uma meta para a taxa Selic. Ao cobrarem suas taxas de juros, as instituições financeiras (bancos, por exemplo) precisam usar a Selic como referência.

Se a Selic sobe, a tendência é que os bancos também aumentem os juros cobrados nos empréstimos e financiamentos, ou seja, o crédito fica mais caro na praça. A mesma regrinha vale para a redução da Selic, quando a tendência é que os juros bancários também caiam. Vale destacar que tanto a elevação quanto a diminuição dos juros do crédito não ocorrem na mesma proporção que a queda da Selic.

A influência da Selic no seu bolso

Como já ficou claro, o movimento da Selic, para cima ou para baixo, regula o movimento das taxas de juros das instituições financeiras. Digamos que a Selic subiu e, junto, os juros bancários também aumentaram.  

As consequências recaem diretamente para você, consumidor – os juros do cartão de crédito, que já são altos, tendem a ficar ainda maiores. Essa alta dos juros, de alguma maneira, também inviabiliza os parcelamentos maiores, seja para pagar a fatura do cartão, seja para fazer compras a prazo.

Outro impacto direto da Selic é sobre o rendimento das aplicações financeiras, principalmente aquelas que têm a rentabilidade atrelada à taxa básica de juros. O chamado CDI (Certificado de Depósito Interbancário) – taxa que serve como referência para aplicações financeiras conservadoras – é um indicador que deve ser acompanhado pelos investidores. Na prática, o CDI acompanha de perto a variação da Selic. Ou seja, se a taxa básica subir, o CDI também sobe.

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) costuma ter a remuneração fixada em percentual do CDI. Por exemplo, você vai investir e encontra um CDB que paga 95% do CDI. Já os títulos públicos, conhecidos como Tesouro Selic seguem diretamente a taxa básica de juros, a Selic, como o próprio nome já deixa claro.

Na ponta do lápis

Mesmo que  a poupança ainda seja uma opção preferida por muitos investidores, os títulos públicos do tipo Tesouro Selic costumam render mais, principalmente no cenário atual de juros baixos. Isso porque a regra da caderneta de poupança, quando a taxa Selic está abaixo de 8,5% ao ano (como hoje em dia), é ter um rendimento de 70% da taxa Selic mais a TR (Taxa Referencial).

E como se baseiam na taxa básica, o raciocínio para acompanhar o desempenho do Tesouro Selic fica bem fácil: quando a Selic aumenta, os títulos trarão mais rendimento. Quando diminui, também renderão menos.

Afinal, quanto vale a Selic?

Até 1999, a taxa básica de juros era a chamada Taxa Básica do Banco Central (TBC). De lá pra cá, o Copom passou a divulgar a meta para a taxa Selic. Atualmente, o juro básico da economia está em 2% ao ano. Considerada a taxa mais baixa desde que foi implantada, a Selic pode ser considerada um termômetro da economia.

Daí os altos e baixos que se observam em determinados períodos. Quanto mais alta a taxa (que seria a temperatura), mais reflete uma situação de crise, pois o BC tenta, com o aumento, conter a inflação.

Para ficar mais fácil entender, entre 2015 e 2016, quando o país atravessou o auge da crise econômica, a Selic disparou e atingiu 14,25%. A “temperatura” começou a cair no fim de 2017, quando foi iniciada uma redução gradativa da taxa básica de juros, como reflexo do início da recuperação da economia.

O impacto na declaração do IR

Tanto o pagamento do Imposto de Renda (IR) devido em parcelas quanto o recebimento da restituição são indexados pela taxa Selic. Sendo assim, se houver atraso no pagamento das parcelas quando a taxa base estiver alta, os juros sobre esse atraso serão maiores. A dica é evitar atrasar nessa situação.

Já no caso de atraso do recebimento da restituição, o valor também será corrigido com base na Selic do período.

Agora fica fácil entender porque acompanhar as flutuações da Selic é estratégico para qualquer pessoa.

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