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Eleições americanas e investimentos: qual a relação entre ambos?

Time Neon

Se você pensa que eleições americanas e investimentos não se misturam, precisa ler este texto urgentemente. Mais do que a escolha de um presidente, estamos falando da eleição do mandatário da maior superpotência mundial, que poderá influenciar as bolsas de valores e os mercados do mundo todo com suas decisões políticas e comerciais.

Além disso, as propostas de democratas e republicanos são muito diferentes e podem mudar suas estratégias de investimentos conforme o caminho escolhido para os EUA.

Ficou curioso para saber o que as eleições americanas mudam nos investimentos? Então continue lendo e veja como se preparar para o novo cenário do mercado financeiro.

Eleições americanas e investimentos: qual a relação?

A relação entre eleições americanas e investimentos é tão próxima que nós já sentimos os efeitos da votação antes mesmo de sair o resultado definitivo, que declarou o democrata Joe Biden como vencedor.

Na verdade, o mercado financeiro começa a reagir e se planejar quando saem as primeiras pesquisas de intenção de voto nos EUA, de olho nas propostas e possíveis mudanças que um novo presidente ou uma reeleição podem trazer à economia.

Afinal, estamos falando da maior economia do mundo, que representa 25% da produção global e movimenta mais de US$ 21,4 trilhões por ano, segundo dados da OCDE publicados em 2020 na BBC.

Além disso, o dólar americano segue sendo a referência monetária mundial e não deve perder seu posto tão cedo. Logo, a escolha do presidente que estará à frente da superpotência mundial pelos próximos quatro anos é sempre um evento marcante para os investidores, que dependem dos movimentos do governo americano para traçar suas estratégias.

Impacto das eleições americanas 2020 nos investimentos

Nesse momento, investidores do mundo todo tentam prever os impactos das eleições americanas 2020 nos investimentos.

O pleito foi considerado “a eleição mais tensa desde 1864”, quando Abraham Lincoln foi eleito em meio a uma guerra civil que matou mais de 620 mil americanos, segundo dados publicados na BBC.

De um lado, tivemos o republicano Donald Trump buscando a reeleição. Do outro, o democrata Joe Biden disputando a posição de 46º presidente dos EUA. Mas o que chamou a atenção foi o clima de polarização política, contestação da votação por Trump e ameaças de levar a disputa aos tribunais, além dos protestos inflamados por todo o país.

Esse cenário de incerteza e agitação disparou a volatilidade do mercado financeiro, causando impactos como a queda do dólar e recuo das principais bolsas de valores do mundo.

As pesquisas de opinião apontavam para a vitória esmagadora de Biden e, com base nessa previsão, os investidores americanos apostaram em “operações de reflação” — um grande salto de gastos públicos cobertos por déficits fiscais que despertaria a inflação e enfraqueceria os títulos do governo e o dólar — e ajustaram seus investimentos nessa direção, segundo informações do Financial Times publicadas na Folha.

Mas, como a disputa foi mais acirrada, apesar de Biden ter vencido de qualquer forma, as pesquisas se mostraram falhas e o mercado teve que segurar a expectativa até a confirmação da vitória do democrata.

Na prática, o que acontece é que os mercados não gostam de incertezas políticas e ameaças de instabilidade, e uma eleição caótica para o cargo mais importante do planeta tem grande impacto sobre as negociações.

O que está em jogo nas eleições americanas 2020

O resultado das eleições americanas em 2020 define como será o comportamento econômico-social dos EUA pelos próximos quatro anos. O presidente eleito terá que lidar com a pandemia do coronavírus, quadro fiscal, panorama monetário, meio ambiente, comércio global, infraestrutura, política de imigração, saúde e inúmeras outras questões desafiadoras.

Apesar de não ter poder para influenciar diretamente o mercado de capitais, o líder poderá afetar os investimentos com suas decisões comerciais e políticas. Para o investidor brasileiro, há um fator importante: nenhum outro país recebe tanto dinheiro do Brasil quanto os EUA.

Desde a eleição de Trump em 2016, os investimentos de brasileiros cresceram ainda mais, principalmente pela evolução das plataformas digitais e mudança das regras dos BDRs (que se tornaram acessíveis para pequenos investidores). Isso significa que há muito dinheiro brasileiro nas bolsas americanas — o que torna essa eleição ainda mais relevante para nós.

Consequências das eleições americanas nos investimentos

Para entender melhor as consequências das eleições americanas nos investimentos, vamos revisar os principais pontos que dizem respeito ao mercado financeiro. Veja o que pode mudar.

Mudanças no desempenho de ações

O resultado das eleições americanas guia os investimentos nas bolsas de valores dos países, pois as políticas do novo presidente podem favorecer ou prejudicar determinados setores econômicos e também o desempenho das empresas.

Joe Biden, por exemplo, é conhecido pela sua política “verde” que incentiva negócios sustentáveis, como as empresas ligadas à energia limpa e a economia circular.

Por isso, pode ser um bom negócio investir em ações de empresas americanas que seguem o padrão ESG (Environmental, Social and Governance), que terão incentivos sob o governo do democrata.

Por outro lado, se Donald Trump fosse reeleito, seria mais promissor investir nas empresas de óleo, gás, tecnologia e aviação, que tiveram destaque em seu governo.

Novo apetite por risco

A guerra comercial travada por Trump contra a China durante seu mandato causou uma aversão ao risco generalizada no mercado global.

O resultado foi uma baixa no preço de ativos de empresas em crescimento ou setores ligados às principais demandas comerciais das potências, como as de insumos agrícolas e telecomunicações, conforme dados publicados pelos analistas da Valor Investe em 2020.

Além disso, os tumultos causados pelo ex-presidente geravam grande instabilidade nas bolsas do mundo todo — derrubando, inclusive, a bolsa brasileira em vários momentos.

Com Biden, a expectativa é que o apetite por risco volte a crescer, tanto pela estabilidade nas relações exteriores quanto pelos pacotes de estímulo econômicos prometidos em campanha.

Nova política fiscal

A política fiscal dos EUA também impacta diretamente a economia global e pode sinalizar mudanças aos investidores após a eleição.

Uma das principais medidas anunciadas por Biden na campanha foi aumento de impostos para empresas de 21% para 28%, revertendo o corte que Trump fez no início de seu governo, conforme noticiado na InfoMoney em 2020.

Com o aumento da arrecadação, ele pretende aprovar um pacote de estímulos para recuperar a economia americana e investir em projetos de infraestrutura.

Esse injeção de dinheiro no mercado pode aquecer os negócios, trazer mais oportunidades de investimentos e favorecer países emergentes como o Brasil — prova disso é que a gestora BlackRock já recomendou aplicações em bolsas de países emergentes, de acordo com análise publicada no Estadão.

Isso acontece porque o aumento do apetite de risco incentiva os investidores a aplicar dinheiro em mercados não tradicionais (que é o caso do Brasil).

Outro ponto importante é que Biden pretende aumentar os impostos sobre as empresas de tecnologia — o que pode ser uma má notícia para quem tem ações da Apple, Amazon, Microsoft e Facebook, por exemplo.

Trump, por outro lado, é contrário aos impostos e recorreria ao financiamento via déficit para manter a baixa carga tributária.

Mudanças nas relações comerciais

O comércio exterior é outra área que deve ter mudanças significativas após as eleições americanas.

Trump é conhecido pelas barreiras protecionistas (tributação de produtos importados para proteger a economia nacional) e acordos bilaterais com inúmeras exigências, que dificultam as relações comerciais no mercado global.

Já Biden tem uma visão de comércio global multilateral e mais livre, que pode impulsionar os negócios e inaugurar um novo ciclo de emergentes e commodities (produtos que funcionam como matéria-prima, como petróleo e soja, por exemplo).

No caso do Brasil, há um receio de que Biden imponha restrições às exportações, devido à insatisfação com a política ambiental adotada pelo governo Bolsonaro, mas isso ainda é uma especulação.

Queda ou alta do dólar

A cotação do dólar poderá variar de acordo com as ações e políticas do novo presidente dos EUA, marcando mais um impacto das eleições americanas nos investimentos.

Com a vitória de Biden, a expectativa é que os pacotes de recuperação econômica aumentem o déficit americano e derrubem o preço do dólar. Com Trump, ocorreria o contrário: o movimento de fortalecimento do dólar continuaria avançando.

Para quem investe em câmbio, pretende viajar para o exterior ou trabalha com importações/exportações, é um ponto que faz muita diferença.

 

Entendeu como as eleições americanas impactam investimentos ao redor do mundo? Então, deixe nos comentários quais são suas expectativas com o novo governo.

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