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Entenda o impacto da alta do dólar hoje no Brasil

Mariana Lima

**Atualizado em 07 de agosto de 2020**

O impacto da alta do dólar na economia brasileira é o assunto do momento, com a cotação da moeda norte-americana batendo recorde atrás de recorde. Mas você sabe o motivo da alta do dólar?

Há muitos fatores que explicam esse fenômeno, tanto nacionais quanto internacionais, e é bom você começar a acompanhar esse cenário. Afinal, o preço atual do dólar afeta diretamente as pessoas e os negócios do País - para o bem e para o mal - e impacta economia do Brasil hoje.

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Por isso, reunimos tudo o que você precisa saber sobre o impacto da alta do dólar na economia e na sua vida.  Leia até o fim e entenda para onde estamos indo.

Por que o impacto da alta do dólar na economia brasileira merece atenção

Antes de discutir o impacto da alta do dólar na economia brasileira, é importante entender o porquê das variações da moeda norte-americana nos afetam dessa maneira.

Basicamente, o que determina como é feita a cotação do dólar ou o valor de qualquer outra moeda é a lei da oferta e demanda que ocorre nas negociações. 

Logo, se o mercado procura mais por dólares (alta demanda), o valor da moeda sobe, e se não houver muita procura (baixa demanda), o valor cai. E isso explica porque em uma mesma semana a cotação do dólar pode variar tanto.

Acontece que o dólar é a referência monetária mundial desde o início do século XX, ou seja, a moeda mais respeitada do mundo e predominante nas reservas globais.

Para países emergentes como o Brasil, é importante controlar a oscilação do preço atual do dólar para evitar que o Real seja muito depreciado e prevenir problemas como paralisação do mercado e subida da inflação.

Por isso, o Banco Central atua para evitar a volatilidade exagerada da moeda americana, por meio de medidas como a venda das reservas nacionais.

Mas, em situações de instabilidade econômica, a alta do dólar é um dos primeiros sintomas, pois há uma elevação do risco-Brasil: o nível de confiabilidade do país para investidores estrangeiros.

Diante de um cenário de crise ou ameaças, ocorre a chamada fuga de capitais, quando os investidores retiram seus dólares do país e procuram aplicações mais seguras - causando a escassez da moeda americana e consequente aumento do valor.

Em outras palavras: o dólar é uma espécie de porto seguro para os investidores e âncora cambial do mundo todo — daí sua influência determinante sobre a economia brasileira e de outros países emergentes.

Qual a origem do impacto da alta do dólar na economia brasileira atualmente?

Atualmente, o impacto da alta do dólar na economia brasileira está em seu momento mais crítico desde o Plano Real.

O avanço da moeda americana já acumulava alta de 9,52% em fevereiro de 2020, alcançando o patamar recorde de R$ 4,79 no dia 09 de março, conforme noticiado pelo Estadão.

Essa apreciação crescente do dólar tem vários motivos, que podemos dividir entre fatores nacionais e internacionais.

Em âmbito global, estes são os aspectos que influenciam a taxa de câmbio atual:

  • Impacto do coronavírus na economia mundial;
  • Guerra comercial intermitente entre EUA e China;
  • Fortalecimento da economia norte-americana;
  • Instabilidade política na América Latina;
  • Insegurança mundial de uma possível recessão;
  • Queda dos preços das commodities.

 

Já no contexto doméstico, esses são os fatores-chave que impulsionam a alta do dólar:

  • Mínima histórica dos juros no Brasil (taxa Selic em 2% em agosto de 2020);
  • Instabilidade econômica após a crise de 2014 e com a pandemia do novo coronavírus;
  • Baixo crescimento;
  • Mudanças políticas

5 sinais do impacto da alta do dólar na economia brasileira

O impacto da alta do dólar na economia brasileira é sentido em vários setores do mercado e pelos consumidores.

Veja os principais sinais da taxa de câmbio elevada.

1. Encarecimento das viagens ao exterior

O primeiro impacto da alta do dólar sentido pelo consumidor é o aumento dos preços das viagens ao exterior.

Afinal, o câmbio influencia diretamente os gastos em dólar, preço das passagens e combustíveis, afetando primeiramente a indústria do turismo.

Para quem pretende viajar para fora, é melhor preparar o bolso.

2. Repasse de variação cambial

Um dos aspectos mais preocupantes da alta do dólar é o chamado “pass-through cambial”, ou repasse da variação cambial para os preços e para a inflação.

Se a moeda americana continuar avançando, esse fenômeno pode pesar no bolso do consumidor.

Por exemplo, o presidente da General Motors da América do Sul, Carlos Zarlenga, afirmou que 40% das peças de seu principal carro (Chevrolet Onix) são importadas — ou seja, pagas em dólar.

Em entrevista o Estadão de fevereiro de 2020, ele explica que a diferença de preço poderá ser repassada ao consumidor em breve.

Ocorre o mesmo com o setor farmacêutico, que utiliza mais de 95% de matérias-primas do exterior e já está se preparando para absorver os aumentos, seja repassando ao consumidor ou revisando suas contratações.

Além disso, o barril de petróleo é negociado em dólar, e uma desvalorização do real frente à moeda americana certamente irá deixar os combustíveis mais caros.

3. Reajuste de produtos nacionais

Os reajustes de preços causados pela alta do dólar também atingem os produtos nacionais, e não apenas os itens importados ou que utilizam matérias-primas de fora.

A explicação é que os produtores nacionais preferem exportar para aproveitar a moeda mais cara.  Ao mesmo tempo, os que vendem internamente aumentam suas margens de lucro para compensar o encarecimento dos produtos importados.

4. Mais competitividade nas exportações

Do lado dos impactos positivos da alta do dólar na economia brasileira, está o aumento da competitividade das exportações.

No setor de suco de laranja, por exemplo, 95% da produção é destinada ao exterior, de acordo com dados divulgados pela CitrusBR na CB Economia. Logo, as empresas exportadoras saem ganhando com o dólar mais caro, como afirmou o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Mas existe um outro lado: muitos custos da indústria também são dolarizados, ou seja, seus insumos e investimentos são pagos em dólar. Então, o impacto acaba sendo duplo e pode absorver a alta da moeda americana sem aumentar tanto os lucros dos exportadores.

5. Efeitos no crescimento econômico

Em tese, a desaceleração é um impacto da alta do dólar na economia brasileira.

No entanto, o diretor de política econômica do Banco Central, Fábio Kanczuk, afirma que a subida do dólar não coloca em risco o crescimento econômico do País, como muitos temem.

Em entrevista à Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios (PEGN), publicada em fevereiro de 2020, Kanczuk disse que, apesar da taxa de câmbio mais apreciada, a inflação está sob controle e não há aumento do risco-país por conta dessa situação.

Kanczuk ainda disse que a moeda americana deve flutuar “para onde tiver que ir”, e que o Banco Central só agirá para evitar distorções no mercado.

Além disso, defende que o nível de reservas internacionais do Brasil está ótimo (acima de R$ 350 bilhões) e o baixo crescimento se deve apenas à mudança operacional em curso (do setor público para o setor privado).

Ou seja: o BC continuará se baseando no tripé macroeconômico do câmbio flutuante, cumprimento das regras fiscais e metas de inflação.

Como o dólar influência a economia do Brasil e mexe no seu bolso?

Como vimos, o impacto da alta do dólar pode atingir nossa economia de várias formas e ter diferentes desdobramentos. Mas, afinal, o que isso muda na sua vida?

Isso vai depender de qual grupo você se encaixa, pois alguns se beneficiam e outros são prejudicados no cenário atual.

Por exemplo, se você estiver à frente de uma empresa que exporta produtos, é claro que tende a aumentar seus ganhos e competitividade no mercado internacional. Da mesma maneira, algumas empresas voltadas ao mercado nacional podem lucrar mais ao sofrer menos competição dos produtos importados.

Se você estiver envolvido no mercado de turismo, também há esperança: as viagens internacionais ficam mais caras, mas os roteiros nacionais ganham fôlego.

Agora, para os empreendedores que dependem de insumos e matérias-primas importadas, a situação pode ficar mais difícil. O mesmo ocorre com empresas que têm dívidas em dólar e pessoas que têm gastos no cartão de crédito internacional — ou viagens e intercâmbios programados.

Como consumidor, inevitavelmente, você deverá sentir uma alta nos preços e perder um pouco o poder de compra. Mas há quem diga que esse é um custo importante para manter a estabilidade do País e avançar para um futuro mais próspero.

Para o ministro Paulo Guedes, por exemplo, a valorização do dólar indica que Brasil está entrando num novo modelo, que estimula a recuperação da indústria. Ele afirmou isso à revista Veja, em fevereiro de 2020, e garantiu que a combinação de juros baixos e contenção de gastos públicos vai fazer o Brasil decolar.

Então, a expectativa do governo é que a alta do dólar se mantenha e não afete o progresso da economia — e até mesmo contribua com o avanço.

Entendeu qual o impacto da alta do dólar na economia brasileira e na sua vida? Agora você pode ficar de olho na cotação da moeda americana e entender para onde nosso país está caminhando.

Se esse artigo ajudou a tirar suas dúvidas, compartilhe e deixe seu comentário 😉

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