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Taxa rosa: qual é o preço de ser mulher no Brasil?

Ana Gabriela Graças

Apesar de as cores não terem gênero, infelizmente o mercado ainda segmenta produtos para mulheres e homens nas cores rosa e azul.

Assim surgiu o conceito da taxa rosa, que nada mais é do que produtos que têm um preço mais elevado por serem destinados ao público feminino.

Essa prática, além de reforçar estereótipos, tem um impacto ainda maior no orçamento das mulheres, já que elas recebem, em média, 20,5% menos do que os homens, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

E mais: apesar de serem mais instruídas (ou seja, terem mais anos de estudo), as mulheres ainda ocupam apenas 37,4% dos cargos gerenciais, de acordo com outra pesquisa realizada pelo IBGE.

Quer mais? No Brasil, 56% das mulheres são responsáveis pelo orçamento da casa, como mostra um levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Ou seja, os dados mostram como ainda há muita discrepância de salários, embora o público feminino seja igualmente responsável pelas finanças familiares.

Mas o que isso tem a ver com a taxa rosa?

Se não bastassem os salários menores para ter as mesmas responsabilidades (às vezes até mais), as mulheres ainda têm que arcar com custos maiores de produtos que são os mesmos usados pelos homens.

Bem complicado, não é mesmo? Vamos explicar em mais detalhes a taxa rosa para que todos nós tenhamos mais consciência sobre essas diferenças tão presentes no nosso dia a dia.

Lembre-se: não é apenas sobre preço, mas, principalmente, sobre reforço de estereótipos que prejudicam a todos nós.

O que é a taxa rosa

A taxa rosa, também conhecida como “imposto rosa” ou "pink tax”, em inglês, não é uma taxa propriamente dita, mas é uma incidência maior de preço em produtos destinados ao público feminino, os quais normalmente têm a cor rosa, por isso tal denominação.

Segundo uma pesquisa da ESPM, os produtos rosas ou com personagens femininos são, em média, 12,3% mais caros do que os demais. No caso das lâminas de depilação e barbear, por exemplo, essa diferença pode chegar a 100%.

O problema está no fato de que os produtos ou serviços têm exatamente as mesmas funções para homens e mulheres. Ou seja, mesmo sendo equivalentes aos produtos masculinos, os produtos “femininos” são mais caros simplesmente porque têm a cor... rosa.

Mas por que isso acontece? Infelizmente, existe um pensamento enraizado na sociedade e que reverbera no marketing de que as mulheres estão mais dispostas a pagar mais caro pelos produtos, já que as compras têm um “peso simbólico e emocional”, como mostra essa publicação do Instagram @graniinhas:

 

Colocando em poucas palavras: a indústria se aproveita de um pensamento antiquado para elevar os preços para as mulheres.

Exemplos de produtos que têm a taxa rosa e custam mais caro para as mulheres

A diferenciação de preço já começa na infância: roupas infantis, sapatos e brinquedos têm preços maiores apenas pelo fato de terem a cor rosa ou dependendo de qual personagem está na embalagem.

Materiais escolares, então, nem se fala: mochilas, cadernos e canetas são mais caros apenas por serem para as meninas.

No caso de roupas para adultos acontece a mesma coisa: uma calça jeans, por exemplo, igual tanto para homens quanto para mulheres, pode ser até 23% mais cara para o público feminino, de acordo com a pesquisa da ESPM mencionada anteriormente.

Os produtos de higiene pessoal são outro exemplo que evidencia a diferença nos preços apenas porque são destinados às mulheres: shampoo, condicionador, desodorante, sabonete, cremes e lâmina de depilação têm preços mais altos quando são para o público feminino.

E os absorventes íntimos? Apesar de os homens não usarem tal produto, essa á uma discussão muito importante que precisa ser levantada: itens básicos da higiene feminina, os absorventes têm uma tributação de 34,5%, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) .

Então, se um pacote custar R$ 8, R$ 2,76 vai ser apenas imposto. Precisamos lembrar que existe um problema mundial chamado “precariedade menstrual”: mulheres de baixa renda que não têm acesso a absorventes por conta dos preços elevados desse produto tão essencial na rotina feminina.

Ou seja, as adversidades da taxa rosa vão muito além do que imaginamos.

infográfico com produtos que têm a taxa rosa

Como podemos mudar essa situação?

Para começar a reverter esse cenário é importante que as mulheres não se sujeitem a pagar mais caro por produtos e serviços com as mesmas funções que oferecem para os homens, sendo que a única diferença é a cor.

Por isso, tenha inteligência financeira, compare preços e, caso não haja nenhum benefício relevante, opte pelo produto “azul”. O seu bolso vai agradecer e você deixará de apoiar uma indústria de estereótipos.

Além disso, veja se outras marcas oferecem produtos neutros; isso já é um grande passo que mostra como elas estão à frente de empresas ainda aprisionadas no estigma “rosa e azul” — e não se deixe enganar, pode ser roxo e verde, amarelo e azul-escuro, então atenção sempre.

Acima de tudo, compre e apoie marcas que não praticam a taxa rosa. A mudança começa nas gôndolas das lojas, então seja você parte da revolução.

 

Deu para entender o que é a taxa rosa? Conte para a gente nos comentários se você já tinha reparado nessas diferenças de preços.

Aproveite para ler também o artigo "O impacto da pandemia na atuação da mulher no mercado de trabalho".

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