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Reajuste dos planos de saúde: o que aconteceu e como preparar o bolso

Ana Gabriela Graças

O reajuste dos planos de saúde em janeiro de 2021 pegou muita gente desprevenida e deu um susto no bolso dos brasileiros.

Por conta da pandemia, as correções foram suspensas em 2020 e foram cobradas de forma acumulativa pelas seguradoras no começo de 2021, o que afetou mais de 20 milhões de beneficiários.

Além desses custos retroativos, há também a correção anual da mensalidade e a possível mudança de faixa etária que implica no aumento do preço do plano de saúde.

Ou seja, a mudança de valor pode ser muito expressiva, por isso aqui vamos te ajudar a entender o que aconteceu e também mostrar algumas alternativas que podem ajudar o seu bolso.

Explicaremos aqui:

 

Quer entender todos os detalhes sobre o que aconteceu e o que pode ser feito para contornar a situação?

Então vem com a gente!

Por que o reajuste dos planos de saúde em 2021 foi tão alto

Anualmente todos os planos de saúde sofrem reajustes que combinam “a variação das despesas assistenciais com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)”, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Todos os anos o reajuste para planos individuais e familiares é divulgado a partir de maio e vale até abril do próximo ano.

Além disso, conforme os usuários trocam de faixa etária também há alteração nos valores dos planos.

Porém, entre setembro e dezembro de 2020 a ANS suspendeu os reajustes anuais e as mudanças de faixa etária para os planos individuais, familiares e coletivos.

No caso dos planos individuais e familiares, a divulgação do teto do reajuste foi feita apenas no final de 2020, de modo que os consumidores também não pagaram os valores atualizados entre maio e agosto (período anterior ao congelamento).

Vale lembrar que no caso dos planos coletivos os reajustes não são regulados pela ANS, então eles não precisam seguir o teto estabelecido pela agência. Além disso, os reajustes são feitos no aniversário do contrato, não a partir de maio como ocorre com os planos individuais e familiares.

O fato é que houve um acúmulo de reajustes em 2020 e em janeiro de 2021 eles foram cobrados retroativamente, o que culminou com um aumento expressivo das mensalidades dos beneficiários.

Então, agora os usuários terão que pagar:

  • A mensalidade reajustada com os valores de 2021
  • A parcela dos reajustes acumulados em 2020
  • A mensalidade reajustada com os valores da mudança de faixa etária, se este for o caso
  • A parcela do reajuste por faixa etária acumulada em 2020, se este for o caso

 

São muitas mudanças de uma só vez que podem pesar no bolso.

Para te ajudar, vamos explicar a seguir como os cálculos são feitos.

Como é feita a cobrança do reajuste dos planos de saúde

Os valores que não foram pagos em 2020 poderão ser quitados em até 12 vezes, cabe aos usuários negociarem com suas respectivas seguradoras.

Segundo divulgado no G1, quem deverá pagar os reajustes são “beneficiários com planos individuais novos ou adaptados, empresariais com até 29 vidas e coletivos por adesão que tiveram o reajuste anual suspenso entre setembro e dezembro de 2020.”

Além disso, usuários que mudaram de faixa etária em 2020 também deverão arcar com o reajuste. Contratos antigos, planos coletivos empresariais negociados até o final de agosto de 2020, planos com pós-pagamento e odontológicos não entram na cobrança.

Em relação à porcentagem de aumento, ANS estipulou um teto de 8,14% para planos individuais ou familiares.

Aumento dos planos de saúde na prática

Para facilitar o entendimento de quanto será o aumento de fato, vamos a alguns exemplos.

Considerando um cenário em que o reajuste tem aniversário em agosto de 2020, são 5 meses de suspensão. Além disso, para esse exemplo não terá mudança de faixa etária.

Sem reajuste, a mensalidade custa R$ 300. Usando como referência o teto estabelecido pela ANS de 8,14%, a conta seria assim:

  • Valor da mensalidade x 8,14% = 300 x 8,14% = 24,42
  • Valor do reajuste x meses de suspensão = 24,42 x 5 = 122,1

 

Ou seja, nesse caso o aumento seria de R$ 122,10, valor que pode ser pago em até 12 vezes pelo usuário.

Colocando na ponta do lápis, a mensalidade que era R$ 300 passa a ser de R$ 324,42 e, caso o cliente opte por pagar os reajustes retroativos em 12 parcelas de R$ 10,17, no final a mensalidade será de R$ 334,59.

Agora, usando esse mesmo exemplo, mas com mudança de faixa etária, o cálculo muda um pouco. Caso a alteração tenha acontecido em outubro de 2020, serão 3 meses em que houve suspensão do reajuste de faixa etária; vamos supor que esse reajuste foi de 15%.

A conta seria assim:

  • Valor da mensalidade x 8,14% = 300 x 8,14% = 24,42
  • Valor do reajuste x meses de suspensão = 24,42 x 5 = 122,1
  • Valor da mensalidade reajustada (300 + 24,42) x porcentagem da mudança de faixa etária = 324,42 x 15% = 48,66
  • Valor do reajuste de faixa etária x meses de suspensão = 48,66 x 3 = 145,98

 

Nesse caso, a soma dos dois reajustes totalizaria R$ 268,08, valor que pode ser pago em até 12 vezes.

Colocando na ponta do lápis, a mensalidade que era R$ 300 passa a ser de R$ 373,08 com o reajuste e mudança de faixa etária. Caso o cliente opte por pagar os reajustes retroativos em 12 parcelas de R$ 22,34, no final a mensalidade será de R$ 395,42.

Faixas etárias dos planos de saúde

Ao todo são 10 faixas etárias estabelecidas pela ANS e as porcentagens de reajuste de uma faixa para outra são definidos pelas seguradoras no contrato de cada usuário.

1ª faixa

0 a 18 anos

2ª faixa

19 a 23 anos

3ª faixa

24 a 28 anos

4ª faixa

29 a 33 anos

5ª faixa

34 a 38 anos

6ª faixa

39 a 43 anos

7ª faixa

44 a 48 anos

8ª faixa

49 a 53 anos

9ª faixa

54 a 58 anos

10ª faixa

59 anos ou mais

 

Segundo a agência, para evitar um amento abusivo nos planos de saúde, a última faixa etária não pode ser superior a seis vezes o valor da primeira faixa e a variação acumulada entre a 7ª e a 10ª faixas não pode ser superior à acumulada entre a 1ª e a 7ª.

O que você pode fazer para tentar diminuir as cobranças dos planos de saúde

Exija esclarecimentos

Para que você tenha mais clareza sobre quais são as mudanças que ocorrerão no seu plano de saúde, as empresas são obrigadas a sinalizar nos boletos os respectivos reajustes, como valores referentes a 2020 e mudanças de faixa etária.

Lembre-se que é seu direito pedir esclarecimentos sobre todos os reajustes feitos e exigir transparência. Você pode questionar todos os valores e solicitar os detalhes sobre cada cobrança.

Tente renegociar

Os exemplos que mostramos aqui são apenas hipotéticos e servem para ilustrar como o reajuste dos planos de saúde pode impactar o orçamento dos brasileiros. Por isso, é fundamental se planejar e renegociar.

Entre em contato com a seguradora ou empresa responsável para tentar reduzir o valor da mensalidade ou também optar por uma modalidade mais simples, ou seja, uma cobertura menor.

Importante reforçar que mesmo que você consiga um plano mais barato, ainda assim as cobranças dos reajustes referentes a 2020 serão feitas. Porém, os valores não podem ser cobrados à vista, mas de qualquer maneira você deve se planear para quitar essa pendência.

Vale considerar também fazer a portabilidade do seu plano e optar por um convênio com melhor custo-benefício. De qualquer forma, todos os pagamentos devem estar em dia para que você consiga fazer a troca para um plano de saúde mais em conta.

Para te ajudar, aqui mostramos como você pode escolher um plano de saúde que cabe no seu bolso.

Caso você não consiga uma renegociação ou considere que a cobrança é abusiva, é válido registrar uma notificação de intermediação preliminar na ANS ou formalizar uma reclamação nos órgãos de defesa Consumidor.gov e Procon.

Organize seu orçamento

É fato que o reajuste dos planos de saúde em 2021 está deixando muitas pessoas preocupadas — e com razão. Os aumentos já são expressivos normalmente e agora, com o pagamento retroativo, o valor pesou ainda mais no bolso.

Por isso é importante que você se organize financeiramente para entender quanto de fato do seu orçamento pode ser comprometido com a despesa do plano de saúde. Isso também te ajudará durante a renegociação.

Você pode usar uma planilha de gastos mensais, por exemplo. Nela você pode inserir suas fontes de renda (salário, aluguéis, etc.) e também destrinchar quais são todas as suas despesas fixas e variáveis para definir o que é prioridade e identificar gastos que podem ser cortados ou reduzidos.

Tenha em mente que o plano de saúde é importante para você e toda a sua família, por isso é preciso fazer o que for possível para renegociar o valor da mensalidade e fazê-la se encaixar no seu orçamento.

 

O que achou das informações sobre o reajuste dos planos de saúde e o que fazer para lidar com essa situação? Conta para a gente nos comentários.

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