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Como o planejamento tributário pessoal melhora a saúde do seu bolso

Time Neon

O planejamento tributário pessoal ajuda você a aliviar o peso dos impostos e ficar sempre em dia com suas obrigações. No Brasil, ele é mais necessário ainda, já que temos um dos sistemas tributários mais complexos do mundo e dezenas de tributos, taxas e contribuições para pagar.

Se você é do tipo que só se preocupa com isso na época do Imposto de Renda, está na hora de aprender a se planejar melhor e reduzir o impacto no orçamento.

A seguir, vamos explicar tudo sobre o planejamento tributário pessoal e como fazer o seu passo a passo.

Leia até o fim e aprenda a lidar com impostos nas finanças.

O que significa planejamento tributário pessoal

Planejamento tributário pessoal, ou elisão fiscal, é uma forma de se organizar para pagar menos impostos e reduzir o impacto deles no orçamento.

Geralmente, as pessoas só se lembram dos tributos na hora de enviar a declaração do Imposto de Renda ou pagar o IPVA, e dificilmente pensam nesse assunto durante o resto do ano.

Mas, se você parar para analisar seus gastos, é bem possível que os impostos pesem mais do que você imagina.

Veja o que você está pagando para o governo hoje:

  • Impostos sobre consumo são impostos embutidos nas compras do dia a dia e que representam a maior parte da arrecadação do País, como PIS/COFINS, ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e ISS (Impostos sobre Serviços);
  • Impostos sobre a propriedade são tributos cobrados sobre o patrimônio e propriedade, como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), IPVA ((Imposto sobre Veículos Automotores) e ITR (Imposto Territorial Rural);
  • Impostos sobre a renda são pagos sobre a fonte de rendimentos, como o IRPF (Imposto de Renda de Pessoas Físicas) e, para quem tem empresa, o IRPJ (Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas);
  • Impostos sobre a folha de pagamento são tributos cobrados diretamente sobre o salário, como a contribuição para o INSS.

Muitos desses impostos passam desapercebidos, e outros ficam mais caros por falta de planejamento e conhecimento sobre as regras tributárias.

Por que você precisa de um planejamento tributário pessoal

O planejamento tributário pessoal é indispensável para quem quer uma vida financeira organizada e saudável - ainda mais em um País com alta carga tributária como o nosso.

Você sabia, por exemplo, que terá que trabalhar 151 dias em 2020 apenas para pagar impostos?

É o que diz o estudo sobre dias trabalhados para pagar tributos do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). A pesquisa também mostra que hoje trabalhamos o dobro para arcar com impostos em comparação com a década de 1970.

E o pior: a maioria desses tributos está oculta nos produtos e serviços que compramos no dia a dia. Por exemplo, um simples pacote de arroz esconde 17% de imposto, enquanto um perfume importado chega a 79% e uma televisão a 45%.

Além disso, o planejamento tributário pessoal é essencial para diminuir a base de cálculo de impostos no ano atual, com o objetivo de pagar menos tributos no próximo ano -principalmente no caso do IR.

É o que chamamos de elisão fiscal, que pode aliviar bastante as porcentagens devidas ao governo.

Lembrando que esse processo é totalmente lícito e não tem nada a ver com evasão fiscal, que ocorre quando a pessoa sonega, frauda ou reduz impostos ilegalmente.

Panorama tributário no Brasil

Você paga nada menos que 63 tributos hoje no Brasil, entre impostos, taxas e contribuições. Segundo dados da Receita Federal publicados no jornal Valor Econômico em 2019, esses são os números da nossa carga tributária:

  • Os impostos representam 32% do PIB;
  • A burocracia tributária consome R$ 150 bilhões das empresas;
  • 50% da arrecadação vem dos impostos sobre consumo.

Se formos comparar a soma total com os impostos em outros países, percebemos que o Brasil tem uma carga tributária semelhante à de nações como Itália e Suécia.

No entanto, nosso sistema tributário é muito mais desigual, porque concentramos o peso dos impostos nos pobres ao tributar o consumo acima de outros países e tributar muito pouco o patrimônio.

Nesse cenário, o planejamento tributário pessoal é ainda mais importante para reduzir o impacto no bolso.

6 passos para fazer seu planejamento tributário pessoal

Agora que você conhece a situação do País, já podemos partir para o planejamento tributário pessoal na prática.

Confira o passo a passo para aliviar o peso dos impostos no seu bolso.

1. Descubra quanto você paga de imposto

O primeiro passo para fazer seu planejamento tributário pessoal é descobrir quanto, efetivamente, você tem gasto com impostos. Para isso, basta somar os tributos sobre a renda, propriedade e folha de salário pagos no último ano, conforme detalhamos no início do artigo.

Se quiser entender sua situação comparada à de outros brasileiros, use a calculadora de impostos da Oxfam Brasil para conferir o valor de acordo com a sua renda.

2. Inclua os impostos no seu planejamento financeiro

Já reforçamos inúmeras vezes por aqui a necessidade de manter o controle financeiro em dia e acompanhar seus ganhos e gastos, certo? Para que seu planejamento financeiro fique completo, não podem faltar os impostos nas despesas programadas para os próximos meses.

Lembre-se de incluir:

  • Tributos sazonais como IPTU e IPVA;
  • Impostos pontuais como o ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Inter Vivos), cobrado na transferência de imóveis;
  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado em transações como empréstimos, uso de cheque especial, operações de câmbio e compra de ativos financeiros.

Dessa forma, você poderá se programar para pagar as obrigações com o governo sem ficar no vermelho.

3. Junte os comprovantes para o IR

Uma dica fundamental de planejamento tributário pessoal é juntar os comprovantes de despesas dedutíveis para abater da base de cálculo do Imposto de Renda.

Isso porque alguns gastos podem ser deduzidos do seu IR! Isso reduz o valor do imposto a pagar ou aumentando a restituição a receber da Receita Federal.

Em 2020, por exemplo, puderam ser abatidos os gastos com:

  • Despesas médicas relacionadas a tratamento próprio, dos dependentes ou alimentandos (consultas, exames, plano de saúde etc.);
  • Despesas com educação, incluindo mensalidade de escola particular, faculdade, cursos profissionalizantes) sem limite para inclusão dos dependentes;
  • Despesas com dependentes comprovados;
  • Contribuições para plano de previdência privada tipo PGBL (limite de 12% da renda);
  • Dedução integral para o livro-caixa do profissional autônomo.

Mas, para que esses valores sejam abatidos do IR, é fundamental que você guarde os comprovantes e recibos durante todo o ano.

Assim, quando chegar o período da declaração, em março e abril do próximo ano, você estará preparado para deduzir o máximo de despesas possível e diminuir sua carga tributária.

4. Use a pessoa jurídica para pagar menos

Se você tem empresa ou é microempreendedor individual (MEI), pode usar uma pessoa jurídica para reduzir a carga de impostos pela tática de elisão fiscal.

Por exemplo, como pessoa física, você paga até 27,5% de IR sobre rendimentos recebidos de empresas (retidos na fonte). Se tivesse MEI, pagaria apenas a guia única mensal (DAS) que não passa de R$ 60,00 para vender produtos e serviços livremente às empresas e emitir nota fiscal.

Mesmo para quem tem microempresa ou pequena empresa, as alíquotas podem ser mais vantajosas. Outra estratégia útil é registrar imóveis no nome da empresa para pagar menos impostos sobre os rendimentos dos aluguéis.

5. Considere investimentos com impostos menores

Também faz parte do planejamento tributário pessoal buscar investimentos que cobrem menos impostos sobre seus rendimentos.

Por exemplo, se você investe em renda fixa, pode ficar livre do Imposto de Renda optando por letras de crédito (LCI/LCA), debêntures e certificados de recebíveis CRIs/CRAs.

Outros rendimentos isentos de IR são os lucros e dividendos de ações e ganhos com venda de ouro limitados a R$ 20 mil. Você também pode optar por uma previdência privada do tipo PGBL, que permite deduzir os aportes até o limite de 12% do IR.

Mas lembre-se: para saber se um investimento é vantajoso, você precisa analisar a rentabilidade, a soma total dos custos e ainda o grau de risco e liquidez.

Às vezes, a isenção de imposto não é suficiente para fazer um ativo ou aplicação valer a pena.

6. Saiba quanto você paga no dia a dia

Como vimos, somos taxados o tempo todo nas compras de produtos e serviços do dia a dia, muitas vezes sem perceber. Por isso, é importante que você saiba quanto está pagando de imposto quando consome algo, seja um quilo de feijão ou um carro zero.

Desde 2012, as empresas são obrigadas a informar o valor aproximado dos tributos pagos pelo produto ou serviço na nota fiscal ou cupom fiscal.

Se você acompanhar essas informações, poderá tomar decisões mais conscientes de consumo, além de entender o sistema tributário e suas futuras mudanças.

Afinal, a reforma tributária vem aí, e provavelmente será um assunto muito discutido aqui no blog.

E aí, gostou de entender mais sobre planejamento tributário pessoal e como lidar com impostos? Comente se as dicas foram úteis e se você pretende se planejar daqui para frente.

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