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Dívida de longo prazo: 6 cuidados a se tomar antes de assumir uma

Time Neon

As dívidas de longo prazo são um compromisso muito sério no seu orçamento, mas algumas vezes podem ser necessárias para alcançar seus objetivos, como adquirir bens e serviços caros — veículos, imóveis e cursos universitários são alguns exemplos, principalmente se você não pode esperar muito por essas conquistas.

O lado bom é ter muito tempo para pagar e opções de prestações que cabem no bolso, ao passo que o lado ruim é ter que arcar com juros e se comprometer com um pagamento mensal por anos a fio.

Se você tem medo de assumir dívidas de longo prazo, vamos mostrar quais cuidados são essenciais e como funcionam os diferentes tipos de crédito. A seguir vamos te ajudar a tomar essa decisão com mais consciência para não prejudicar sua vida financeira.

O que são dívidas de longo prazo

As dívidas de longo prazo são aquelas que você divide em várias prestações e paga durante anos — geralmente acima de 2 anos.

Os exemplos mais comuns são os financiamentos de veículos e imóveis, mas também podem entrar nessa categoria os financiamentos para construções, financiamentos estudantis e os empréstimos de longo prazo (acima de 24 meses para pagar).

A vantagem de contratar esse tipo de crédito é que você tem muito tempo para pagar e, consequentemente, as parcelas podem ser mais suaves.

Além disso, é possível conseguir juros mais baixos, dependendo das garantias oferecidas e condições da instituição.

Por outro lado, é preciso se planejar muito bem, pois assumir uma dívida de longo prazo é uma decisão importante na sua vida financeira e implica que você tenha dinheiro para arcar com as parcelas por um bom período de tempo.

Afinal, a partir do momento em que você assina o contrato, está se comprometendo a pagar um valor mensal por cinco, 10, 20 e até 35 anos (limite do prazo para financiar imóveis).

Principais tipos de dívida de longo prazo

Existem vários tipos de dívidas de longo prazo com diferentes objetivos e condições de contratação. Conheça os principais.

Financiamento

O financiamento é o tipo de crédito mais usado para adquirir bens e serviços de alto valor. Ele se diferencia do empréstimo comum por determinar de antemão qual será a finalidade do dinheiro liberado. Por exemplo, existem financiamentos específicos para carros, imóveis, cursos universitários, reformas e até eletrônicos mais caros.

Ao contratar essa modalidade de crédito, você só pode usar o dinheiro para comprar o bem determinado em contrato — e, muitas vezes, o próprio bem serve de garantia, caso você não consiga honrar as parcelas (a chamada alienação fiduciária).

Para conseguir um financiamento, é preciso passar por uma análise de crédito e atender a alguns requisitos dos bancos, como não comprometer mais de 30% da renda familiar com a parcela e não estar com o nome negativado.

Empréstimo consignado

O empréstimo consignado tem suas parcelas descontadas diretamente da sua folha de pagamento. Antes ele costumava ser concedido a funcionários públicos com estabilidade, mas hoje qualquer trabalhador com carteira assinada pode contratar essa modalidade de crédito

A vantagem é que o baixo risco reduz consideravelmente os juros e os prazos também são mais longos. Como se trata de um empréstimo pessoal e não um financiamento, você pode usar o dinheiro como quiser.

Empréstimo com garantia

Outra forma de estender o prazo de pagamento e reduzir os juros é oferecer uma garantia para tomar empréstimo. No mercado, existem empréstimos com garantia de imóvel (home equity), de veículo e até de títulos de capitalização.

Nesse caso, você aliena o bem ou ativo, o que significa que ele é colocado como garantia para o crédito e a instituição financeira pode tomá-lo caso você fique inadimplente e as tentativas de negociação se esgotem.

No entanto, você continua usufruindo normalmente da sua propriedade ao longo do período do empréstimo, só precisa pensar muito bem antes de colocá-la em jogo.

Consórcio

O consórcio é um tipo de compra coletiva, na qual várias pessoas que querem adquirir um mesmo bem se reúnem em um grupo fechado e pagam parcelas mensais até que todos consigam uma carta de crédito para realizar seu objetivo.

Esse grupo é administrado por uma instituição autorizada pelo Banco Central e são realizados sorteios mensais, até que todos os participantes sejam contemplados.

Existem consórcios de veículos, imóveis, cursos universitários, eletrodomésticos, reformas, cirurgias plásticas e até festas de casamento, que podem ter prazos de pagamento de até 17 anos (200 meses).

Por um lado, não há cobrança de juros como acontece nas modalidades de financiamento e empréstimo. Por outro, se você não for sorteado ou não tiver como dar um lance, poderá ser contemplado somente no final do contrato — e as taxas de administração podem encarecer bastante o negócio.

Vantagens das dívidas de longo prazo

As dívidas de longo prazo podem assustar pelo tamanho do compromisso, mas costumam ser uma opção mais vantajosa para o bolso.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Ipea em 2019, o brasileiro compromete 19,8% da renda com juros, enquanto a média dos países desenvolvidos é de 10%.

Além de comprometermos o dobro da renda, ainda temos o hábito de optar por créditos de curto prazo, como cartão de crédito, cheque especial e empréstimo pessoal — as modalidades com juros mais altos.

Você sabe quais são todas as taxas de cartão de crédito que você paga? Veja aqui a relação completa.

Para o pesquisador do Ipea, Estêvão Kopschitz, o ideal seria trocar essas dívidas de curtíssimo prazo por dívidas mais longas e com garantias, que têm juros menores e condições de pagamento melhores.

“A dívida mais longa e com mais garantias tem menos impacto no orçamento doméstico, porque a amortização do principal é diluída em muitos anos e a qualidade da garantia permite que os juros sejam mais baixos" — explica o especialista em finanças em uma Carta de Conjuntura de 2019.

Além disso, ele chama a atenção para o endividamento concentrado em compras imediatistas: “Os brasileiros investem menos em aquisição de imóveis, por exemplo, mas gastam muito com cartão de crédito, contribuindo para um aumento da taxa de juros, haja vista a falta de garantia típica desse tipo de crédito".

Ou seja: talvez valha mais a pena assumir uma dívida longa, com juros baixos e compatível com a sua renda, e assim adquirir bens de valor, do que ficar pagando juros altos em compras de curto prazo.

6 cuidados a se tomar antes de assumir dívidas de longo prazo

1. Consulte as condições do crédito

As dívidas de longo prazo representam um risco maior de inadimplência para os bancos e financeiras.

Consequentemente, as instituições são mais exigentes para conceder esse tipo de crédito, e você deve consultar essas regras antes de tudo.

Normalmente, a parcela não pode ultrapassar 30% da sua renda comprovada, você não pode ter nome sujo e é preciso provar sua capacidade de pagamento.

Já a documentação exigida costuma incluir documentos pessoais, declaração do Imposto de Renda, comprovante de renda, extrato do FGTS, extratos bancários, certidão negativa de débitos, etc.

2. Use uma calculadora de juros compostos

Os juros cobrados nos empréstimos são os juros compostos — os famosos “juros sobre juros”.

Ou seja: eles vão se acumulando e sendo calculados com base no montante do período anterior (saldo devedor + juros mês a mês).

Por exemplo, se você faz um empréstimo de R$ 10 mil a uma taxa de 1% ao mês, o valor devido é de R$ 100 no primeiro mês (1% de R$ 10 mil), R$ 101 no segundo mês (1% de R$ 10.100), R$ 102,01 no terceiro mês (1% de R$ 10.201) e assim por diante.

Por isso, não basta aplicar a porcentagem que aparece no anúncio: é preciso usar uma calculadora específica para entender o impacto da taxa de juros.

Para financiamentos e empréstimos com parcelas fixas, você pode usar a Calculadora do Cidadão do Banco Central.

3. Calcule o Custo Efetivo Total

As taxas de juros anunciadas nos empréstimos e financiamentos são nominais, ou seja, não representam a porcentagem total que você realmente vai pagar pelo crédito.

Para saber quanto vai custar o crédito, você precisa considerar o Custo Efetivo Total (CET), que já inclui todas as taxas, juros e encargos cobrados pelo banco.

De acordo a Resolução nº 3517 do Banco Central, todas as instituições são obrigadas a informar o CET em destaque, na forma de taxa percentual anual.

4. Escolha o melhor sistema de amortização

Nos financiamentos, você poderá escolher entre dois sistemas de amortização (redução gradual do saldo devedor e juros):

  • Tabela SAC: é tabela decrescente, ou seja, as parcelas começam altas e vão diminuindo ao longo do tempo, pois a amortização dos juros é fixa
  • Tabela Price: é a tabela de prestações fixas, ou seja, você pagará o mesmo valor de parcela do início ao fim do financiamento (amortização mais lenta)

 

No caso, a Tabela Price sempre resulta em juros maiores, mas têm valores mais previsíveis do que a Tabela SAC.

Logo, você irá escolher entre pagar juros menores ou ter mais previsibilidade nas parcelas.

5. Verifique o índice de correção monetária

Outro detalhe importante nas dívidas de longo prazo é o índice de correção monetária aplicado sobre o saldo devedor.

Normalmente, as instituições oferecem a opção da taxa de juros fixa, com correção pela Taxa Referencial (TR, atualmente em 0%) ou taxas menores acrescidas do IPCA (inflação).

Entenda aqui o que é IPCA e como ele impacta suas finanças.

6. Analise sua situação financeira

Por fim, depois de calcular os juros e avaliar se vale a pena assumir a dívida de longo prazo, você precisa estudar com muito cuidado sua situação financeira.

A própria análise de crédito da instituição é um bom termômetro para entender se você é capaz de pagar a dívida, mas você também deve fazer uma autoavaliação a partir das seguintes questões:

  • A parcela realmente cabe no seu orçamento mensal e não vai prejudicar sua qualidade de vida?
  • O bem adquirido vale o compromisso de anos de pagamento?
  • Você se sente seguro no emprego/profissão atual e tem perspectivas de crescimento?
  • Você tem uma reserva de emergência ou plano B caso perca sua fonte de renda atual?

 

Essas e outras perguntas são essenciais para tomar a decisão certa e preservar sua saúde financeira.

E agora, já sabe se está pronto para assumir uma dívida de longo prazo? Deixe nos comentários se você acha que as dicas ajudaram e se pretende encarar esse compromisso.

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